10Km em 4 rounds no estilo barefoot

Foto do Flickr oficial do evento Fila Night Run. O cabeção aqui esqueceu dos créditos do fotógrafo. Se ele ver e se manifestar eu agradeço.

Every morning in Africa, a gazelle wakes up. It knows it must outrun the fastest lion or it will be killed. Every morning in Africa, a lion wakes up. It knows it must run faster than the slowest gazelle, or it will starve.

It doesn´t matter whether you´re a lion or a gazelle – when the sun comes up, you´d better be running.”
Citação de Roger Bannister, do livro Born to Run de Christopher McDougall

Relatarei minha experiência, até o momento, em correr no estilo barefoot. Dividirei em pequenas histórias e depois irei uní-las no final.

– Conto 1 – O começar a correr:

Já pratico algumas atividades há alguns anos.

Dentre elas, uma que nunca caiu em minhas graças é correr.

Apenas corria para manter o condicionamento, além de sair da minha zona de conforto de fazer apenas o que eu gostava.

Notava que alguns amigos amavam correr, outros gostavam muito de spinning. Mas correr, para alguns, era como um vírus, o pessoal não parava mais.

Detalhe que eram sempre os meus amigos da musculação, que começavam a tomar gosto por esta atividade. De repente eles estavam ali, sempre na esteira da academia e logo em seguida participando de corridas de rua.

Diante de tudo isso eu iniciei as minhas primeiras tentativas. Comecei a treinar apenas para adquirir o gosto.

Treino, treino…até o ponto de participar, junto com meu amigo Rui, em um evento oficial que foi a Corrida da Lua, em Campinas.

Fotos vocês podem conferir aqui.

Legal. Fiz em um tempo bom nos 6Km e a experiência em si foi muito bacana.

– Conto 2 – Vibram Five Fingers:

Meus Vibrams (KomodoSport, Bikila e o KSOTrek)

Há quase dois anos atrás eu estava folheando uma revista Super Interessante onde havia uma matéria sobre o Vibram Five Finger e sobre a mecânica de se correr descalso.

Aquilo me interessou bastante. Até levei a revista para alguns amigos, que são professores de educação física, para mostrar o assunto.

O tempo passou e novamente o assunto veio-me de bandeja via este post do San Piccirelli do Meio Bit.

O gatilho final foi quando meu amigo, e professor de CrossFit, Cesar chegou com um Vibram em uma aula.

Ao vivo achei muito legal e foi o ponto decisivo para fazer a encomenda do meu primeiro modelo; KomodoSport.

O período de adaptação foi estranho, havia músculos das pernas que começaram a reclamar da nova situação. A impressão era que estes músculos nunca havia sindo trabalhados. Na verdade sempre foram, mas agora era de uma maneira diferente.

Fora o fato de que TODO MUNDO olha para os seus pés ao andar nas ruas.

Minha mãe até hoje acham eles feios demais. ehheeh

– Conto 1 + Conto 2 = Fila Night Run

Fiquei sabendo pelos amigos do Fila Night Run.  A etapa em Campinas seriam 10Km: duas voltas no Taquaral de Campinas no período da noite.

Foi realizado há dois sábados passados (10/09/2011) e eu estava lá.

Essa seria a prova que eu colocaria a técnica do barefoot na linha de fogo.

Treinei leve pelo menos 3 vezes por semana, durante um mês e meio. E acho que ai foi o meu erro, treinei leve demais, pequenas distâncias apenas e vocês iram conferir o resultado disso mais adiante no texto.

Chega o dia e minha namorada acompanhou-me no evento (ela era o meu apoio, meu staff).

Como sempre haviam várias barracas das academias, e lá estava eu, no meio do povo com Mizunos e Asics, usando um tênis com dedos azuis.

Lógico vieram duas pessoas perguntarem para mim sobre o Vibram.

Chega o momento de correr, fiz um alongamento rápido e caminhei para o local da largada.

Fiquei bem atrás do pelotão de elite.

Largada dada, o povo começa a andar e correr. Estava tão atrás que só passei 5 minutos depois que o tiro foi dado.

Passei pela largada e começa minha conversa com os 10Km. Argumentações difíceis que vocês acompanham agora:

Round 1 – Kms 1 ao 1,5 – Adaptação

Sempre nos primeiros quilômetros eu começo a me adaptar a nova situação de esforço. Preciso de alguns metros até a respiração começar entrar em sincronia com as passadas, o corpo começar a se adaptar com os choques do chão, e por ai vai.

Esta etapa é meio dura, mas não existem saídas para contorná-la. Guts aqui.

Round 2 – Kms 1,5 ao 5 – Disparo

“Um bom corredor não deixa rastros”

Tao te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude

Já estava adaptado a corrida e começo a disparar. Noto que passo vários corredores.

“Isso não está legal”, penso, e começo um autocontrole na velocidade.

Não poderia me desgatar logo no começo por pura empolgação, então comecei a me preservar.

Foram nestas horas que escutei alguns corredores falando “…olha o pé deste cara…”.

Round 3 – Kms 5 ao 8 – Tentativa de Nocaute

Nesta etapa começa a segunda volta no Taquaral.

O fator elevado a -1 entra em ação mais rápido que estilhaços de uma granada. Neste momento eu começo a sentir o cansaço da situação, e ela vem em pico, não de maneira gradual.

A empolgação cai drásticamente e começo a sentir algumas bolhas antigas nos dedos do pé esquerdo.

A Av. Dr. Heitor Penteado parecia que havia aumentado 3x o seu tamanho, não acabava nunca. No final dela comecei a sentir o joelho esquedo e depois o direito.

Ambos revesavam e pareciam falar “algo errado, pare agora Fábio”. Ignorei a situação, sorri para ela, e continuei correndo. Não era dor, mas era algo incômodo, como uma situação engatilhada para fazer tudo dar errado.

Notava que estava correndo perto da calçada, parte do asfalto que é inclinada.

Fui para o meio da rua, onde é mais plano, e o meu joelho direito parou de reclamar como uma criança birrenta (Miller feelings).

Mesmo enfretando o Round 3, mantive a velocidade por volta de 9~10 Km/h

Parece piada, mas nessa hora eu pensava nos tarahumaras e em atletas como Scott Jurek e Anton Krupicka.

Como que superrunners conseguem correr mais de 100 milhas e eu naquela situação com menos de 10 Km ?

Também pensava no pedaço de bolo de milho que eu havia comido algumas horas antes.

Round 4 – Kms 8 ao 10 – Automático

Nos quilometros finais entrei em estado automático, sentia o cansaço, mas a situação estava menos complicada do que no round 3.

O joelhos estavam em equilibrio, as solas das pontas dos pés estavam em ardência devido as exigências e ao impacto amortecido.

A água oferecida no caminho, em copinhos plásticos, era quase para molhar a boca. Não conseguia engolir direito. Apenas pequenos goles.

Mas consegui completar os 10Km em quase 53 minutos.

Fim da batalha, sobrevivi aos 4 rounds.

– Pós-corrida e conclusões

No dia seguinte eu sentia os dois joelhos. Dois dias depois os joelhos estavam ok, mas sentia as pernas ao subir uma escada. Passado três dias, do evento, eu estava bala novamente.

Adorei a experiência, mas notei que preciso treinar resistência. Corridas com baixa velocidade (9Km/h) e com pelo menos 40 minutos.

Não fiz isso, o que foi meu erro e paguei no Round 3 por essa infântilidade.

Não sei quando farei a próxima corrida de rua, mas saberei como agir desta vez, e detalhe, não irei me preoculpar com o tempo.

Irei tentar correr de maneira mais confortável, pois eu quero sentir aquilo que os tarahumaras sentem ao correr.

Eu quero sentir-me feliz.

Cl, Baby.

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14 comentários sobre “10Km em 4 rounds no estilo barefoot

  1. Oi Fábio, tudo bem? Parabéns pelos detalhes desta publicação!

    Gostaria de uma ajuda sua, se possível. Estou em dúvida entre os modelos Komodosport LS ou Bikila LS. Corro aproximadamente 7,5km e na ponta dos pés, pq treino na areia…

    Pode me ajudar?
    Obrigada, F[atima

  2. Oi Fábio,

    Muito obrigada pela consultoria!

    “Poxa vida”, rs, estava tão “encantada” pelo komodo (achei + bonito), mas de fato correr com tênis pq é belo não rola…

    Vou comprar um de cada.. Bikila e Bikila LS.

    Bjs e ótimas corridas p. ti!

  3. Entendi.. considerenado que comecei a correr há pouco tempo (6 meses), vou treinar com o + indicado (Bikila) e depois de me acostumar comprarei o Komodo pelo site… 😉

    Bjs

  4. Oi Fábio… tudo bem?

    + Consultoria..rs..

    Estou experimentando aqui no Brasil para que eu possa comprar lá fora. Fiquei com a seguinte dúvida:
    nr. 38 fica justinho, sinto apertando meu dedão, apesar de aparentemente, estar ok..
    nr. 39: fica normal, mas tenho a sensação que está largo..

    o que fazer? 😉

    1. ahh ai que mora o x da questao.

      no meu caso, o número 42 (número Vibram) fica justo, pega o meu dedinho, mas com o tempo ele lasceia.

      mas para correr, estou usando o vibram 43, fica um pouco mais folgado. Depois de dois vibram número 42 pegando no dedinho…chamei um maior.

      corro com todos, e corro com o 43 tranquilo, mas lógico, fica um pouquinha mais folgado mas nao atrapalha em nada.

      é isso.
      bjs 73 55

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